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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lucca... Um anjo enviado para a mamãe Marcela!

Meu nome é Marcela e como muitas, não planejei minha gravidez, estava namorando a pouco tempo e em menos de dois meses de namoro descobri que estava grávida, no dia 01/10/12 já estava com meu positivo na mão, confesso que relutei por várias vezes em abrir o exame, pois estava pouco tempo com o Marcos, e estava com um pouco de medo do que as pessoas iriam pensar a respeito de ter engravidado em tão pouco tempo, mais para a minha surpresa, meus pais ficaram muito felizes em saber da minha gravidez, eu e o Marcos à partir de então, resolvemos não nos preocupar com a opinião dos outros. Já estava de 8 semanas, então resolvemos marcar a primeira consulta para poder dar início ao pré-natal, a consulta foi marcada para o dia 16/10, porém um dia antes eu tive um sangramento e as pressas fomos eu, minha mãe e o Marcos ao hospital, depois de algumas horas, o médico disse que meu útero estava fechado, mais que possivelmente minha placenta estava baixa, fiz um ultra de emergência e de fato ela estava baixa mesmo, mais o bebê estava bem, pequenino, mais o coração já batia forte, sai do consultório radiante de tanta alegria. Estava ansiosa pelo próximo ultrassom, queria ouvir o coraçãozinho do meu bebê novamente, no próximo ultra com 12 para 13 semanas ainda tudo estava bem, minha surpresa veio com 16 semanas quando fui ansiosa para saber o sexo do bebê e o médico me veio com a notícia que meu líquido havia diminuído, falei com a minha médica e ela pediu para que eu não me preocupasse e assim fiz, o próximo ultrassom seria o morfológico, fiz em minha cidade mesmo, mais a médica veio me dizendo que o líquido teria diminuído severamente e que caso continuasse assim meu bebê não sobreviveria mais do que 7 meses, saí de lá desesperada, aos prantos e depois de conversar com a minha médica, ela me pediu que eu fizesse outro morfológico na cidade vizinha, pois o que eu tinha feito, estava muito vago. Assim fiz, com 23 semanas fui até Divinópolis, cidade vizinha, para fazer o ultrassom, o médico ficou em silêncio o tempo todo e no final me perguntou se eu tinha consulta com a minha médica, pois ela teria que ver o ultra o mais rápido possível, confesso que fiquei sem saber o que o médico quis dizer com isso, mais para a minha sorte eu tinha uma consulta com ela, naquele mesmo dia, então fiz conforme o médico me disse, mostrei o ultra para ela e ela disse que realmente eu teria que passar por um médico especialista, pois até então, a falta de liquido era pela falta dos rins, que foi confirmada no ultrassom doppler, mais eu ainda não sabia. A consulta com a médica especialista foi marcada e durante a consulta ela viu meus ultrassons e depois de um tempo ela veio me dizendo que infelizmente os rins do meus bebê não tinham desenvolvido e que nesses casos, ele seria um bebê inviável e que se não morresse dentro de mim, também não sobreviveria ao nascer, que só Deus poderia fazer com que a minha história fosse diferente. Saí de lá inconsolável, perdida, sem saber o que pensar e como agir, chorei durante todo o trajeto de Divinópolis até Formiga, não queria acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, passei então a pesquisar sobre a ARB e entre tantas publicações vagas, encontrei o blog da Carol, Anjos sem Rins, foi através dele que fiquei mais por dentro da doença e ainda com esperanças de que o diagnóstico estava errado, começou enfim a nossa luta. Uma consulta com outra médica foi marcada, Dra. Marina era o nome dela, sempre muito atenciosa e prestativa a tirar todas as minhas dúvidas sobre a doença, foi ela que me deu a confirmação que eu tanto temia e depois de tentar relutar contra os acontecimentos, resolvi aceitar a realidade, mais sempre com uma ponta de esperança de que no final tudo daria certo. Tinha ido sozinha na consulta com a médica, e quando cheguei o Marcos já estava me esperando na rodoviária para me buscar, quando eu consegui explicar tudo que médica me disse, ele não aguentou, tentou disfarçar, mais a verdade é que não queria que o visse chorar, mais eu vi e como por impulso, nós 2 nos abraçamos e começamos a chorar ali mesmo, e pedindo a Deus que tudo fosse um mero engano dos médicos. Depois de tudo o que estava acontecendo conosco, resolvemos encarar os fatos de frente e foi naquele momento que decidimos levar a gestação adiante, mesmo sabendo que a possibilidade de interromper a gravidez existia, mais para isso teríamos que entrar na justiça, mais tirar a vida de um ser tão inocente, não cabia a nós e sim a Deus e entre idas a Divinópolis, ultrassons, exames e tudo mais que exigia um pré-natal, continuamos confiantes até onde Deus queria que fossemos. Depois que soube da agenesia em meu bebê decidimos não comprar mais nada, comprei só o necessário para levar para a maternidade e o que eu já havia comprado, resolvi guardar, na esperança de que meu bebê pudesse usufruir de tudo que compramos para ele com tanto amor e carinho. Fomos seguindo, ansiosos para saber a data do parto, porque, como o bebê estava sentado, parto normal foi descartado pela médica e com 33 semanas ela nos disse que o parto seria com 37 semanas, no dia 6 de maio e que antes disso, eu teria que passar por uma última consulta com a médica, assim fiz, estava tudo pronto para o dia do parto, o que eu não contava que é a data seria adiada e do dia 6, a data do parto foi para o dia 7 de maio às 8:00 hs da manhã. Depois de tanto esperar, o grande dia chegou, chegamos ao hospital na hora marcada e exatamente as 8:55 meu parto começou, não senti nada, tava um pouco nervosa, mais a presença do Marcos ali do meu lado me acalmou, e quando foi às 9:15, ouvi o choro mais lindo que jamais pensei em ouvir na minha vida, Era o meu LUCCA, que até então não sabia se era menino ou menina, mais depois de um tempo, me disseram que era um menino lindo, nasceu roxinho, acho que foi devido a falta de líquido, vi ele por por alguns segundos, pois teriam que levá-lo as pressas para a UTI, não pude ficar com ele e então o Marcos ficou todo tempo ao lado ele, até o momento em que ele deu o último suspiro as 11:15, 2 horas depois, meu pequeno estava nos deixando, a única coisa que sei, é que ele lutou muito pela vida, não desistiu nem por um segundo sequer, o Marcos via nos seus olhinhos que ele queria viver, mais as circunstâncias não deixaram que isso acontecesse. Apesar de todo dor, ele nos ensinou muita coisa, nos deu muitas alegrias e hoje lembro do meu pequeno com muito aperto no coração, mais feliz por Deus ter me dado a oportunidade de ter gerado um bebê tão lindo e que no fim só nos deu alegria. Ainda é muito recente para entender o propósito de tudo isso, mais de uma coisa eu tenho certeza, que seja lá onde você estiver, ele está olhando por nós e muito feliz, pois sua missão aqui na terra foi cumprida, foi rápida, mais foi intensa. Fiquei com ele por apenas 15 minutos, mais jamais esquecerei esse tempo que ele pôde ficar junto a mim, abraçá-lo, tê-lo em meus braços e dizer o quanto eu o amava. Hoje só ficou a lembrança e a saudade que eu e seu pai sentimos de você, dói muito, eu não vou negar, mais sei que está sendo muito bem cuidado pelo seus amiguinhos anjos e por Deus. Vamos seguir em frente, pois sabemos que era isso que você queria, mais com você sempre em nossos corações. Dizer que te amo é pouco, o amor que sentimos por você é bem maior que qualquer definição de Amor existente na terra!!! Você meu filho amado, não está mais conosco, mais sabemos que apesar de não estarmos juntos, você sente de uma forma especial o quanto eu e seu pai te amamos e desejávamos que você estivesse aqui!! E que um dia, que só Deus sabe quando, vamos nos reencontrar e à partir desse dia em diante, jamais iremos nos separar, ficaremos juntos por toda eternidade!!! Lucca, amor eterno, amor além da vida!!!