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terça-feira, 11 de junho de 2013

AUSÊNCIA...


UM AUSENTE
(Carlos Drummond de Andrade)



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste..."


sábado, 1 de junho de 2013

Não tenho medo da morte... (por Marcela Oliveira, mãe do Lucca)

Não tenho medo da morte. Tinha... e muito.
Acredito que todos já passaram por esta reflexão... como é morrer? E será que morremos mesmo? Será que enterramos nosso corpo com tudo e ali permanecemos, ou, algo nos acontece antes e nossa alma se separa? Assunto complicado, não é?! Envolve crenças, religiões diferentes; mas no final, é tudo a mesma coisa - não há certeza. Porém se não nos apegarmos há algo e acreditarmos fielmente, enlouquecemos. Ninguém vive sem aceitar uma realidade, ainda que haja divergências.
Antes do Lucca, (acho que agora minha vida se resume em antes e depois do nascimento do meu anjinho) tinha aflição até em tocar no assunto. Pois se acreditamos no bem, temos que acreditar no mal, se temos a vida um dia teremos a morte. É, não era um assunto que eu"curtia" muito. A questão era: como eu vou morrer? Será que vai doer? Vai ser cruel ou vou estar dormindo? (...) Depois do Lucca, este tema tem se feito tão presente nas minhas conversas do dia-a-dia que me ponho em provação o tempo todo. Como posso ter medo de morrer se meu bebê lutou pela vida por duas horas sem ninguém poder fazer nada, pois infelizmente, esse era o seu destino. Com toda certeza, essa é a parte da história que mais me lamento.
Passamos tanto tempo reclamando da vida, mas com medo da morte... Acredito que vou viver, por viver este momento, agradecer por ter sido escolhida pelo Lucca e tudo que ele me ensinou. Vou ter outro filho ou filhos rsrs, e aí sim poderei sorrir novamente. Pois quando o segurei gélido, é que percebi o que é não ter vida e pude sentir que meu bebê não estava mais ali. Não tenho medo da morte pois na minha crença eu aguardo pelo dia que verei seus olhos brilharem por mim novamente, em um outro lugar. Sei que independente da dor que sentiu, agora ele brinca no colo de Jesus. Então, como mãe, tenho este pensamento: Posso aguentar a morte que Deus escolher para mim, independente do quanto doa; jamais será maior que a dor do Lucca antes de partir. E se um bebê tão indefeso foi capaz de tamanha força, nada será maior do que o que senti por ele.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lucca... Um anjo enviado para a mamãe Marcela!

Meu nome é Marcela e como muitas, não planejei minha gravidez, estava namorando a pouco tempo e em menos de dois meses de namoro descobri que estava grávida, no dia 01/10/12 já estava com meu positivo na mão, confesso que relutei por várias vezes em abrir o exame, pois estava pouco tempo com o Marcos, e estava com um pouco de medo do que as pessoas iriam pensar a respeito de ter engravidado em tão pouco tempo, mais para a minha surpresa, meus pais ficaram muito felizes em saber da minha gravidez, eu e o Marcos à partir de então, resolvemos não nos preocupar com a opinião dos outros. Já estava de 8 semanas, então resolvemos marcar a primeira consulta para poder dar início ao pré-natal, a consulta foi marcada para o dia 16/10, porém um dia antes eu tive um sangramento e as pressas fomos eu, minha mãe e o Marcos ao hospital, depois de algumas horas, o médico disse que meu útero estava fechado, mais que possivelmente minha placenta estava baixa, fiz um ultra de emergência e de fato ela estava baixa mesmo, mais o bebê estava bem, pequenino, mais o coração já batia forte, sai do consultório radiante de tanta alegria. Estava ansiosa pelo próximo ultrassom, queria ouvir o coraçãozinho do meu bebê novamente, no próximo ultra com 12 para 13 semanas ainda tudo estava bem, minha surpresa veio com 16 semanas quando fui ansiosa para saber o sexo do bebê e o médico me veio com a notícia que meu líquido havia diminuído, falei com a minha médica e ela pediu para que eu não me preocupasse e assim fiz, o próximo ultrassom seria o morfológico, fiz em minha cidade mesmo, mais a médica veio me dizendo que o líquido teria diminuído severamente e que caso continuasse assim meu bebê não sobreviveria mais do que 7 meses, saí de lá desesperada, aos prantos e depois de conversar com a minha médica, ela me pediu que eu fizesse outro morfológico na cidade vizinha, pois o que eu tinha feito, estava muito vago. Assim fiz, com 23 semanas fui até Divinópolis, cidade vizinha, para fazer o ultrassom, o médico ficou em silêncio o tempo todo e no final me perguntou se eu tinha consulta com a minha médica, pois ela teria que ver o ultra o mais rápido possível, confesso que fiquei sem saber o que o médico quis dizer com isso, mais para a minha sorte eu tinha uma consulta com ela, naquele mesmo dia, então fiz conforme o médico me disse, mostrei o ultra para ela e ela disse que realmente eu teria que passar por um médico especialista, pois até então, a falta de liquido era pela falta dos rins, que foi confirmada no ultrassom doppler, mais eu ainda não sabia. A consulta com a médica especialista foi marcada e durante a consulta ela viu meus ultrassons e depois de um tempo ela veio me dizendo que infelizmente os rins do meus bebê não tinham desenvolvido e que nesses casos, ele seria um bebê inviável e que se não morresse dentro de mim, também não sobreviveria ao nascer, que só Deus poderia fazer com que a minha história fosse diferente. Saí de lá inconsolável, perdida, sem saber o que pensar e como agir, chorei durante todo o trajeto de Divinópolis até Formiga, não queria acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, passei então a pesquisar sobre a ARB e entre tantas publicações vagas, encontrei o blog da Carol, Anjos sem Rins, foi através dele que fiquei mais por dentro da doença e ainda com esperanças de que o diagnóstico estava errado, começou enfim a nossa luta. Uma consulta com outra médica foi marcada, Dra. Marina era o nome dela, sempre muito atenciosa e prestativa a tirar todas as minhas dúvidas sobre a doença, foi ela que me deu a confirmação que eu tanto temia e depois de tentar relutar contra os acontecimentos, resolvi aceitar a realidade, mais sempre com uma ponta de esperança de que no final tudo daria certo. Tinha ido sozinha na consulta com a médica, e quando cheguei o Marcos já estava me esperando na rodoviária para me buscar, quando eu consegui explicar tudo que médica me disse, ele não aguentou, tentou disfarçar, mais a verdade é que não queria que o visse chorar, mais eu vi e como por impulso, nós 2 nos abraçamos e começamos a chorar ali mesmo, e pedindo a Deus que tudo fosse um mero engano dos médicos. Depois de tudo o que estava acontecendo conosco, resolvemos encarar os fatos de frente e foi naquele momento que decidimos levar a gestação adiante, mesmo sabendo que a possibilidade de interromper a gravidez existia, mais para isso teríamos que entrar na justiça, mais tirar a vida de um ser tão inocente, não cabia a nós e sim a Deus e entre idas a Divinópolis, ultrassons, exames e tudo mais que exigia um pré-natal, continuamos confiantes até onde Deus queria que fossemos. Depois que soube da agenesia em meu bebê decidimos não comprar mais nada, comprei só o necessário para levar para a maternidade e o que eu já havia comprado, resolvi guardar, na esperança de que meu bebê pudesse usufruir de tudo que compramos para ele com tanto amor e carinho. Fomos seguindo, ansiosos para saber a data do parto, porque, como o bebê estava sentado, parto normal foi descartado pela médica e com 33 semanas ela nos disse que o parto seria com 37 semanas, no dia 6 de maio e que antes disso, eu teria que passar por uma última consulta com a médica, assim fiz, estava tudo pronto para o dia do parto, o que eu não contava que é a data seria adiada e do dia 6, a data do parto foi para o dia 7 de maio às 8:00 hs da manhã. Depois de tanto esperar, o grande dia chegou, chegamos ao hospital na hora marcada e exatamente as 8:55 meu parto começou, não senti nada, tava um pouco nervosa, mais a presença do Marcos ali do meu lado me acalmou, e quando foi às 9:15, ouvi o choro mais lindo que jamais pensei em ouvir na minha vida, Era o meu LUCCA, que até então não sabia se era menino ou menina, mais depois de um tempo, me disseram que era um menino lindo, nasceu roxinho, acho que foi devido a falta de líquido, vi ele por por alguns segundos, pois teriam que levá-lo as pressas para a UTI, não pude ficar com ele e então o Marcos ficou todo tempo ao lado ele, até o momento em que ele deu o último suspiro as 11:15, 2 horas depois, meu pequeno estava nos deixando, a única coisa que sei, é que ele lutou muito pela vida, não desistiu nem por um segundo sequer, o Marcos via nos seus olhinhos que ele queria viver, mais as circunstâncias não deixaram que isso acontecesse. Apesar de todo dor, ele nos ensinou muita coisa, nos deu muitas alegrias e hoje lembro do meu pequeno com muito aperto no coração, mais feliz por Deus ter me dado a oportunidade de ter gerado um bebê tão lindo e que no fim só nos deu alegria. Ainda é muito recente para entender o propósito de tudo isso, mais de uma coisa eu tenho certeza, que seja lá onde você estiver, ele está olhando por nós e muito feliz, pois sua missão aqui na terra foi cumprida, foi rápida, mais foi intensa. Fiquei com ele por apenas 15 minutos, mais jamais esquecerei esse tempo que ele pôde ficar junto a mim, abraçá-lo, tê-lo em meus braços e dizer o quanto eu o amava. Hoje só ficou a lembrança e a saudade que eu e seu pai sentimos de você, dói muito, eu não vou negar, mais sei que está sendo muito bem cuidado pelo seus amiguinhos anjos e por Deus. Vamos seguir em frente, pois sabemos que era isso que você queria, mais com você sempre em nossos corações. Dizer que te amo é pouco, o amor que sentimos por você é bem maior que qualquer definição de Amor existente na terra!!! Você meu filho amado, não está mais conosco, mais sabemos que apesar de não estarmos juntos, você sente de uma forma especial o quanto eu e seu pai te amamos e desejávamos que você estivesse aqui!! E que um dia, que só Deus sabe quando, vamos nos reencontrar e à partir desse dia em diante, jamais iremos nos separar, ficaremos juntos por toda eternidade!!! Lucca, amor eterno, amor além da vida!!!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

2 anos do blog!

Aproveitando o soninho da minha pequena, passo por aqui rapidinho para dizer que... Nosso blog completou no último dia 12/04, 2 anos de existência.
Confesso que, se pudesse escolher não precisar criá-lo, com certeza assim seria. Mas, quem sabe não foi esse o propósito de Deus para minha vida? Quem sabe a vinda e partida do Arthur, para além de tudo o que aprendi, não foi para unir e amenizar o sofrimento de todas as famílias que vivenciaram a Agenesia Renal Bilateral e outros prognósticos incompatíveis com a vida humana?
A responsável por tudo isso... é a Lorena Azevedo. Foi ela quem primeiro me incentivou a criar um espaço para que, com o desespero inicial que a oligodramnia nos traz, pudéssemos ter um espaço de troca de informações e, mesmo que virtual, um ombro amigo para chorar a angústia de gerar um filho que será devolvido para Deus.
Como "presente" pedirei a um amigo que crie um novo layout para que o blog fique de "cara nova". E exclusiva! 
Agradeço à Fabiana, que hoje colabora para as postagens. E agradeço também à Tássia, que vem nos dando um suporte com sugestões sempre.
Mais uma vez, peço desculpas pela ausência... Meu sogro está com câncer na bexiga (olha aí o bendito aparelho urinário...), estou em processo de escrita de dissertação no Mestrado, voltei ao trabalho e sou uma mãe bem chata, que gosta de deixar tudo arrumadinho para que Cecília passe um dia tranquilo e feliz! Depois que ela dorme, vou organizar toda a sua rotina para o dia seguinte: cardápio, comidinhas, lanches, roupinhas, bolsa para sair (se preciso), entre outras questões de casa. Vida de Amélia moderna não é fácil...rs!
Compartilho aqui também a felicidade de ver minha filha completar seu primeiro aninho de vida, em 22/03/13! Fizemos uma pequena celebração na casa da minha sogra, para pouquíssimas pessoas, e ela curtiu bastante! 
Com grande alegria anuncio o nascimento da MARIA EDUARDA, filha da Gleice, mãe do anjo Bernardo, que partiu deste mundo em setembro/2010. Gleice mora num bairro próximo ao meu aqui no Rio e nos conhecemos pessoalmente. Uma família linda e cada vez mais abençoada!
Vou finalizando com um carinho muito especial a todas vocês... Estou sempre em oração pelas que passam pela angústia da gestação e separação do bebê ao nascer, pelas que se recuperam física e emocionalmente do pós-parto, por todas as "tentantes" que esperam em Deus um novo milagre da vida e por todas que já receberam esse novo milagre, como eu, para que tenham sabedoria em criar filhos nesse mundo tão lindo e complicado...
Papai Fabio e Cecília / FOTO: Jones Heiderich
São mais de 28.800 acessos ao blog, já visualizado em mais de 30 países. Acho que, de alguma forma, como gota no oceano, a gente contribui para acalentar o coração das famílias cujos bebês apresentam problemas renais... 
Agradeço imensamente o carinho, a parceria e as trocas! E, se precisarem, estou sempre por aqui...

Com carinho,
Carol


terça-feira, 26 de março de 2013

Tomara...



Tomara


Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o nosso sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer para ver também um bocadinho de céu.

Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem da confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de busca a ideia da alegria.

Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão da felicidade. Tomara.

Ana Jácomo

***Texto compartilhado/enviado por Tássia Regine

quinta-feira, 14 de março de 2013

Iaslamy...


Dia 02/02/2012 descobri que estava grávida, com 3 semanas após o resultado do beta fiz a endovaginal e o coraçãozinho já batia, com 13 semanas fiz a morfologia do primeiro trimestre, e estava tudo perfeito ele( até então tinha certeza que era um menino) já estava todo formadinho, nossa foi uma emoção tão grande que não sei nem explicar o que eu sentia, uma explosão de sentimento ao mesmo tempo.  Dia 08 de maio toda a família se organizou para ir para ultra para saber o sexo, nossa como estavam felizes, mas foi ai que começou minha luta, não conseguimos ver o sexo pois o liquido amniótico estava baixo, ILA6.0, fiz repouso e bebi muito liquido,  tomava 3 banhos de 40 minutos com a barriga submersa a água quente, depois de 10 dias refiz o enxame, o meu ILA tinha aumentado pra 6.25, mas o medico pode visualizar uma alteração no ventrículo lateral, nossa outra informação bombástica, com 21 semanas fiz a morfológica com doppler com um especialista em medicina fetal, ele começou a fazer o exame calado não falava nada, e eu cada minuto mais nervosa, quando tudo terminou ele olhou pro meu esposo e disse: e pai o caso e serio, não conseguir visualizar os rins do bebê nem a bexiga e já esta com hidrocefalia grave, desesperada perguntei logo se ele não podia fazer uma cirurgia intrauterino, ele disse que nos casos do rins não, que só Deus poderia mudar meu diagnostico, e que pelo exame , meu bebê não tinha chance nenhuma de vida, podendo vim a óbito na gestação ou quando nascesse. Saí desesperada, só queria ficar sozinha perguntando e questionando a Deus, porque isso estava acontecendo comigo, peço perdão a Deus e a meu bebê por todos os pensamentos que sentir, pois sei que ele sentia tudo, mas e muito sofrimento pensar e saber que ele ta crescendo dentro de mim e que não tinha chances nenhuma de sobreviver. Procurei um advogado pra entrar na justiça, pensando em interromper a gestação, mas quando cheguei em casa chorei muito, vi que não tinha direito sobre essa decisão  sei que não cair uma folha da arvore se não for da vontade de Deus, foi quando comecei minha pesquisa pela internet, pois até então tudo era novo pra mim, nunca tinha ouvido falar em Agenesia renal bilateral, foi ai que descobrir o blog da Carol “anjos sem rins”, Onde obtive força em continua com minha gestação adiante, pois descobrir que a minha pessoa não era a única a vivenciar uma situação tão difícil, agradeço a Deus todos os dias pois ele colocou anjos em minha vida Fabiana Pompeu, de onde tirei forças para continuar, Mamãe Tássia Regine também foi uma peça fundamental na minha vida pois vivia naquele momento tudo que eu vivia. Minha Gestação durou exatamente 40 semanas, no dia 09 de outubro de 2012 as 17h23 nasceu minha princesa Iaslamy, e nos deixou as 18h40 indo ao encontro do nosso Senhor, muitas saudades do meu anjinho, amor eterno.

Agradeço ao Senhor por ter me dado a chance de ser mãe da Iaslamy, e pela família linda que ele me deu. Obrigada família pela força foi essencial na minha luta.

***POSTAGEM FEITA POR FABIANA POMPEU, RESPEITANDO O TEXTO ENVIADO PELA MAMÃE ÉRICA.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vinicius...


Vinicius... nosso grande Amor!! 

        Meu nome é Ana Claudia, tenho 24 anos, sou casada com Vanderlei ... Decidimos engravidar em 2011, parei o anticoncepcional em fevereiro.. Fiz todos os exames de preparação antes de partir de fato para as tentativas, resultados ok... Engravidei em julho/2011.Mas tive um aborto com 8 semanas. Foi bem ruim, tive q fazer curetagem, e esperar 3 meses pra voltar tentar de novo. Quando deu os 3 meses, fiz todos os exames de novo e mais um pouco pra garantir que desta vez daria tudo certo. Em dezembro/2011 fui liberada para tentar de novo, dia 27 maio2012, descobri a gravidez do Vinicius. Que dia feliz.. Imediatamente fui ao médico, as consultas, ultras, td sempre certinho ate a terceira consulta. Na quarta, quando eu estava com 18semanas, q era pra ver o sexo, foi q descobrimos o problema. Eu estava sem liquido nenhum. Absolutamente nada. O Vinicius estava bem, com tamanho e peso ideal. Mas nao dava pra ver quase nada na ultra, pela falta do liquido.Pensamos que talvez eu pudesse ter perdido e nao sentido, mas nao. A bolsa estava intacta! Como eu nao tinha perdido liquido, era o bebe q nao estava conseguindo produzi-lo. Foi ai  que o Dr deduziu que  ele nao tinha os rins. A visibilidade não permitia ver nitidamente os órgãos. Porém, as artérias renais também não eram vistas e elas não dependem do liquido amniótico para serem visualizadas. Essa é uma pista que pode indicar Agenesia Renal Bilateral(atenção mamães, essa é apenas uma “pista”, e pra ser diagnosticado Agenesia Renal tem que se analisar a situação num todo ok? juntando vários fatores.). Na mesma hora o medico já disse q ele não  tinha chances de sobreviver apos o nascimento. Isso foi dia 03 setembro. Nao acreditei, fui em outros 3 médicos, e as opiniões  foram a mesmas. Fiz até uma ressonância magnética fetal, único exame que pode confirmar a ARB.        Meu mundo parou naquele dia. Eu não queria acreditar... Me deram a opção de interromper a gravidez , na época com 20 semanas. Mas jamais isso me passou pela cabeça. Detalhe, ainda não sabia o sexo, só descobrimos na hora do nascimento! Eu sabia que enquanto ele estivesse na minha barriga, não estava sofrendo, então optei levar a gravidez ate onde fosse possível. Ele poderia vir a óbito ainda na barriga, ou imediatamente apos nascer. Minhas consultas passaram a ser semanais, pra acompanhar o bem estar dele. Decidi por dar chance a ele de escolher quando fosse a melhor hora pra ele vir ao mundo,chance de ele nascer com dignidade, de conhecer o papai, a família dele... mesmo sabendo q eu não o teria comigo por muito tempo quis q todos aqueles q me acompanharam, que torceram por nós q amaram o Vinicius tivessem a honra de conhece-lo. Eu o amei muito, dei muito carinho, conversei com ele todos os dias como se ele já estive do lado de fora da minha barriga. Curti muito a gravidez. Como estava sem liquido, fiz repouso quase absoluto pra q ele tivesse o maior conforto possivel na minha barriga. Fiz todo o possível pra que ele sentisse o quanto era amado e desejado por todos... Procurei me manter sempre tranquila, saudável pra ele ficar bem. Apesar da agenesia, tive uma gravidez tranquila. Meu parto era pra ser entre dia 16-20 de janeiro. Mas na madrugada do dia 11 janeiro,com 37 semanas de gestacao, entrei em trabalho de parto em casa. Passei o dia tendo contrações. E a noite fui pro hospital.Ele decidiu que era chegada a hora. Nosso gurizinho nasceu as 22:31.. 

Pesquisei tanto sobre gravidez, sobre o problema dele, passei hoooras na internet lendo. E foi numa dessas pesquisas que encontrei o blog Anjos sem rins. Foi muito bom ler todos os relatos, eles me ajudaram a ter forcas pra conseguir seguir em frente.Nao me sentia mais sozinha. Sempre perguntava pro Dr como seria quando ele nascesse, se ele ia conseguir chorar (porque pela falta do liquido o pulmão não tinha se desenvolvido), se ia nascer bem...O Dr disse q dificilmente ele ia conseguir chorar. Que ia precisar de oxigenio imediatamente...Mas ele chorou!!! Que alegria ouvir o chorinho dele! nunca vou esquecer, foi a unica vez que ouvi o choro dele, a voz do meu pequeno. Parece q ele chorou somente pra me dar a alegria e a lembranca dele...que vontade eu tive de levantar e abracar meu pequenino naquela hora...  Ele nasceu com 2,665 e 48cm. Meu marido ficou com ele o tempo todo na uti... e eu, devido a cesarea nao pude nem levantar. Tava doida pra ir logo conhecer meu amor, mas infelizmente as 5:00am o pediatra veio dar a pior noticia do mundo pra mim. Um pedaço  de mim se foi naquela hora... eu quis morrer. Não tive coragem de ir vê-lo sem vida. Eu nao ia conseguir pega-lo e depois devolvê-lo para sempre...  Preferi ficar com a lembrança  dele na minha barriga, dos nossos momentos com juntos dele ainda com vida. De quando eu acordava de madrugada com ele mexendo sem parar e não conseguia voltar a dormir rsrs, mas meu marido filmou o parto, tirou fotos dele q tenho sempre comigo e hoje guardo com muito carinho. Posso dizer, que ele me ensinou o que é amor eterno. O quanto agente pode amar incondicionalmente alguém que nem cheguei a ver pessoalmente. Um amor que chega a doer...  Aprendi a valorizar mais os pequenos momentos felizes da vida, a ter paciência, e principalmente, a amar ainda mais meu marido, minha família, sem eles eu não teria conseguido. Sofri muito, ainda sofro, a saudade é enoooorme, mas hoje estou bem melhor.Pelo Vinicius, resolvi me reerguer,e continuar a vida. Essa falta e saudade vai ser eterna,  assim como meu amor por ele .O dia 11 janeiro de 2013 foi pra nós o mais Feliz , nosso amor se materializou naquele ser perfeito.. Meu conselho para quem está passando por isso: AMEM seus bebes, curtam a gravidez ao máximo. Aproveitem cada minuto que estiverem juntos. Tenham certeza que esses pequenos guerreiros sentem todo nosso amor por eles... Vinicius, mamãe e papai te amam eternamente!



*POSTAGEM FEITA POR FABIANA POMPEU, RESPEITANDO O TEXTO ENVIADO POR ANA CLAUDIA.