"Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos."
***POSTAGEM FEITA POR CAROL
O blog tem como objetivo a troca de informações, experiências e angústias para famílias que tiveram o prognóstico de "Agenesia Renal Bilateral" em seus bebês... "Agenesia Renal Bilateral é a ausência dos DOIS rins, quase sempre associada ao feto severamente oligodrâmnio (pouco líquido amniótico), pois o feto sem rim não produz urina e, consequentemente, líquido amniótico. É incompatível com a vida humana..."
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domingo, 24 de novembro de 2013
domingo, 1 de setembro de 2013
O anjo GABRIEL...
O anjo da minha vida: Gabriel.
Olá, eu queria muito contar minha história, que é triste também como todas as que eu li nesse blog. Me chamo Fernanda e me casei em 2009, queria muito ter um filho, mas as condições na época fizeram que eu adiasse esse sonho, mas em abril de 2011 fiquei grávida e confesso que fiquei muito preocupada com a noticia, claro que fiquei feliz, mas na hora que eu soube eu chorei muito, não sabia direito porque, mas senti meu coração apertado. Logo essa sensação passou e me senti muito feliz. Parecia que eu já sabia que não ia ser fácil.O começo da gravidez não foi fácil, eu enjoava a toda hora e pra piorar sentia cólicas e as vezes eu sangrava, o médico pediu repouso porque eu corria risco de perder o neném, fiz tudo certinho e na primeira ultrassom pude ouvir o coração do meu filho bater pela primeira vez, foi maravilhoso mas não conseguimos ver o sexo. Estava tudo bem comigo e com o neném, eu estava com 3 meses e me sentindo bem. Duas semanas depois o médico pediu outro exame, marquei e levei meu pai junto na esperança de conseguirmos ver o sexo do neném, mas para a nossa surpresa a notícia não foi boa, eu estava sem liquido amniótico e o médico viu que o neném tinha um cisto em cada rim, disse que eu tinha que ter uma gravidez mais assistida e me dispensou. Fiquei muito preocupada, nem sabia que existia uma coisa dessa, no mesmo dia eu consegui passar com um médico especialista de gravidez de alto risco, ele explicou por cima algumas possibilidades, todas ruins, mas não me apavorou. Fiz um outro exame com um outro especialista e esse disse que meu filho nem tinha rim, maldito nem sabia o que estava falando me deixando nervosa, mas ele sugeriu que eu fizesse uma ressonância magnética fetal. Nesse exame veio a noticia que mudaria minha vida, meu bebê tinha rins policísticos bilateral. Os rins cheios de cistos, muitos cistos. Meu médico me mandou pro Hospital da Clinicas ma esperança de haver algum tratamento, mas lá, o médico foi bem claro: " Há grandes chances, todas as chances desse neném morrer quando nascer, isso se ele não vier a óbito na sua barriga, se nascer, não vai chorar e se chorar não vai durar mais do que 2 horas". Nossa, nessa hora eu não soube o que fazer, mas respirei fundo e chorei. Não tive a chance de fazer enxoval , chá de bebê, nada. Levei a gravidez com muita tristeza, sentindo ele mexer muito a cada dia e a cada exame sempre engordando, era um bebezão. Eu cheguei a ter em minhas mãos uma carta pra levar ao fórum para pedir para interromper a gravidez, mas devolvi essa carta pro médico, decidi ir até o fim, mesmo triste, mesmo sabendo o que ia acontecer. Por pedido do médico eu tomava 7 litros de água por dia, comia muita melancia, ele disse que ajudaria aumentar um pouco o meu liquido, e parece que funcionou, num exame meu liquido tinha aumentado um pouco e o medico disse que seria uma esperança para os pulmões do bebê se desenvolver mais e pra ajudar ele me receitou uma injeção que eu tinha que tomar 2 vezes, ela ajudaria nos pulmões dele e um possível tratamento para os rins seria mais fácil com os pulmões funcionando bem, porque os pulmões precisam desse liquido pra desenvolverem. Tomei essas injeções, eu estava com 7 meses já. Duas semanas depois senti um liquido escorrendo, a minha bolsa estourou e o pouco de liquido que tinha formado eu tinha acabado de perder. Fui para o hospital, tomei muito soro e 3 dias depois de internada fizeram meu parto, uma cesariana. Fiquei muito preocupada, chorava muito, pois dentro de mim meu filho estava vivo, protegido, mas sabia que depois do nascimento dele as horas dele estavam contadas. Meu marido ficou comigo e ele foi o primeiro que viu, um menino lindo e grande, grande pra ser prematuro, na hora ele não chorou, mas depois pude escutar o choro mais lindo do mundo, um choro baixinho, calmo, demorou alguns minutos para me trazerem ele, mas finalmente eu pude vê-lo, como era grande, lindo demais, gordinho, realmente era um anjo. Mas foi muito rápido, levaram ele para a uti. Só pude ver ele no outro dia, o parto foi de noite, quando eu o vi, pude ver que ele respirava com dificuldade, estava cheio de aparelhos, entubado, mas os médicos que ficavam de plantão sempre falavam que era grave, que ele poderia não passar daquela noite, Começaram a fazer diálise nele e a respiração dele foi melhorando, teve uma melhora incrível. Pude ver ele com os olhos abertos, pude ver um sorrisinho dele, sempre segurava sua mão e ficava admirando tamanha beleza, não porque era meu, mas era lindo mesmo perfeito, ficava horas olhando pra ele. Tive alta e ia visita-lo todos os dias. O que o médico do HC falou nada aconteceu, ele nasceu, chorou, durou mais de duas horas. Ele viveu por 8 dias. No dia 7 de Dezembro de 2011, ás 16h, ele faleceu. Foi um guerreiro o meu anjinho. Ele se chamava Gabriel, foi uma promessa do meu marido colocar esse nome lindo. Foi muito triste ver minha mãe comprar a roupinha para enterrar o neto, enquanto muitos compravam roupa para levar o bebê pra casa. Ele teve velório, muitas pessoas foram conhece-lo, todos admiravam a beleza dele. Eu, mesmo com pontos da cesária, acompanhei tudo, a hora do enterro foi mais triste ainda, ver meu marido carregar o caixão nas mãos até o túmulo.Sofri muito, choro até hoje porque não consigo entender o porque, justo comigo, com o meu primeiro filho. Os médicos disseram que nunca viram um bebê com essa doença durar tantos dias, 8 dias, os dias que eu fiquei com ele, sem pegar no colo, sem trocar roupinha, só pude beija-lo depois de morto, mas agradeço muito por ter ficado esses dias com ele.Depois que tudo passou, mau marido e eu fizemos exames genéticos e descobrimos que a doença do meu filho era rins policísticos autossômico recessivo e temos 25% de chance de ter outro neném assim. Até hoje não tive coragem de engravidar de novo, quero muito ser mãe, mas não quero correr esse risco e passar por tudo de novo. Meu filho não teve a doença que citam neste blog, mas foi uma doença terrível também que eu nem sonhava que existia. Queria conhecer uma mãe que passou pelo o mesmo caso e que engravidou de novo mais vezes e que a doença não repetiu mais. Tenho fé em Deus que ainda serei feliz e realizarei meu sonho, ele conforta a todas nós que perdemos nosso filhos com doenças horríveis, e pude contar sempre com meu marido e minha mãe em toda essa historia.
Agradeço desde já a atenção de vocês.
Um grande abraço a todas.
Fernanda
***A POSTAGEM FOI FEITA RESPEITANDO LITERALMENTE O TEXTO ENVIADO PELA MAMÃE FERNANDA
domingo, 11 de agosto de 2013
Emmanuel...
No dia 18 de Setembro de 2012 dia em que completei 36 anos tive o segundo maior presente da minha vida, estava gravida pela segunda vez....
Que felicidade poder dar um irmaozinho (a) para o Rayan..
Passado alguns dias começaram o enjoos, aiiii como foi dificil esses enjoos pq na primeira gravidez eu tive privilegio de nao precisar cozinhar pegava marmita, mas agora com filho pequeno em casa jamais faria isso com ele, a alimentaçao dele sempre foi muito importante.
Como morava no japao comecei o pré natal e de cara a medica ja me avisou que como eu tinha uma cesarea teria q fazer de novo. Não gostei pelo fato de ter um filho pequeno e ele precisa de mim, meu marido tambem precisa e outra cesarea so dificultaria... Entao pensei em levar minha mae para me ajudar e ficar conosco por alguns meses, mas (sempre tinha o MAS) ai batia a vontade de vir embora e ter o bebê no brasil, queria muito o parto natural, batia medo e preocuaçao nao queria ficar internada uma semana, e pensando q teria q ficar longe do meu filhote todo esse tempo me fazia ficar estressada irritada, eu estava feliz com minha gestaçao, queria muito esse bebezinho que tava crescendo dentro de mim.
A cada consulta de pré natal uma alegria...
Com 18 semanas meu bebezinho ja estava chutando que era uma maravilha, que delicia sentir esse pequeno ser mexendo cada dia mais dentro de mim.
Até que um dia, ou melhor no dia 25 de Dezembro de 2012 dia de Natal na hora da consulta a medica disse assim, vamos fazer um exame bem detalhado para ver se nao tem risco de parto prematuro.... Juro que gelei, me deu um frio na barriga, uma sensaçao estranha como se ela estivesse vendo algo errado ( mas claro ela nem fazia ideia, era coisas de rotina).
Ao fazer o ultrason ela viu que o liquido aminiotico havia diminuido e teria que fazer repouso...
Bom até ai tudo bem neh, li bastante pesquisei e vi que nao era um absurdo... pedi para a Lucia (babá do meu filho) ficar com ele e me trazer a noite assim eu ficaria o dia todo deitada e bebendo muita água.
Passado os tres dias voltamos na medica e ela repetiu o exame so que desta vez mais detalhado, e ao teminar disse que nao estava achando os rins do bebê e que o liquido estava diminuindo mais e pediu para eu esperar pois ia passar com a medica chefe para ter certeza do diagnostico.
Nessa hora falei para meu marido que aceitaria tudo, que me internassem que eu faria repouso absoluto mas que meu bebê estivesse perfeito e pudesse viver.
A medica nos chamou novamente e disse que o bebê nao tinha os rins e que sua vida fora do utero era impossivel....COMO ASSIM IMPOSSIVEL? ela disse que deveriamos marcar para fazer um aborto ja que eu estava com 20 semanas.... Eu olhei pra ela e disse... Quais as chances do meu bebe sobreviver? Existe algum tratamento? é meu filho eu faço qualquer coisa por ele, tem como doar meus rins?
Ela disse que nao tinha nada que pudesse ser feito e que ele morria antes de nascer ou logo após o nascimento, que era melhor fazer o aborto.... Peraí aborto? Matar alguem ? Mas e o coraçao ainda bate? Sim bate ele esta desenvolvendo normalmente só nao tem os rins....
Entao enquanto o coraçao dele bater eu vou continuar com ele, quem me deu é que tem o poder de tira-lo de mim, e ele vai nascer...
Mas ele vai morrer disse a medica...
Tudo bem mas vai nascer, eu vou levar a gravidez ate o final e mesmo que eu pegue ele no colo nem que seja por um minuto apenas eu vou segurar porque ele vai nascer e viver o tempo que Deus permitir.
Ela abaixou a cabeça e pediu desculpas.
Fomos embora eu soluçava de tanto chorar, queria muito esse bebê.
Cheguei em casa e perguntava pra Deus porque? porque disso acontecer comigo, porque sendo que eu sempre quiz ser mae... Isso nao era justo
Me isolei, nao falei com ninguem, me escondi em casa nao queria ver as pessoas tinha medo delas me perguntarem sobre o bebê e eu ter uma crise de choro e nao conseguir falar...
Teve um dia que fui ao mercado e me escondi das pessoas, nao queria ver ninguem, parecia que ao me olhar estavam vendo o que havia dentro da minha alma, dentro do meu coraçao....
Porque teria que ser assim? Porque eu a escolhida? Meu bebê precisava de uma mãe que o ajudasse a seguir seu caminho, a concluir seu destino....
Foi entao que resolvemos vir embora para o Brasil, na esperança que tudo estivesse errado, que haveria uma chance dele sobrebiver
Viemos embora e passei com um medico de alto risco, um grosso que me deixou mais p baixo, mas como sou RH negativo tenho q tomar uma vacina e fui encaminhada a maternidade da minha Cidade, la conheci uma enfermeira maravilhosa do alto risco e perguntei como era, ela com tanto carinho me perguntou o diagnostico e expliquei, ela perguntou se eu sabia o q ia acontecer com meu bebe e respondo que sim, foi entao que ela me convidou a passar com o medico de alto risco dali, era tudo pelo SUS e disse que eu teria o melhor acompanhamento para a minha gravidez... Desconfiei mas gostei tanto dela q resolvi tentar.
Logo na primeira consulta com o medico que é professor universitario ele foi tao amavél, tirou tantas duvidas que eu e meu marido saimos de lá com esperanças e com o coraçao leve, ele nunca nos deu esperança e também nao tirou.
Decidi neste momento viver da melhor maneira possivel para que meu bebe sentisse o amor que tinha por ele, chorei tive crises de desespero mas tambem sorri, dancei brinquei com ele, eu passava a noite acordada brincando com minha barriga, eu dizia que o amava tanto e que queria muito q nao fosse verdade o que iria acontecer...
Bom fui fazendo o pré-natal normalmente e o medico sempre me dizendo que talvez minha gravidez nao chegasse ate o final e eu perguntei na possibilidade de um parto natural e pra minha surpresa ele disse você nao só pode como deve tentar, me animei fiquei radiante e feliz pois ia realizar nele o sonho de parir... Eu ja sou mae de um menino de 2 anos e como foi cesarea pq estava pelvico e queria muito o parto normal..... O medico me explicou que meu bb estava pelvico, ( pelo que li acho que a grande maioria dos bebes com agenesia estao pelvicos) e perguntei como seria, ele disse que eu poderia sim tentar o parto mesmo assim, e busquei o maximo de informaçao sobre parto de bebe sentado, e nao desisti.....Quando completei 38 semanas e 2 dias começaram as contraçoes eu nao conseguia dormir, passei a noite entre cochilos e contraçoes, marcava o tempo e tentava dormir, quando foi 6 da manha fui p o chuveiro onde elas aumentaram... Levei o Rayan para ficar com a avó ja era 12:00 e fui p maternidade com meu marido e minha irma.
O medico me examinou e disse q meu bb estava sentado e ja estava com 4 cm de dilataçao que eu poderia tentar o parto natural.... Foi ai que perguntei se ele sabia assistir um parto pelvico pq muitos medicos nem cogitam assistir e ja partem p a cesarea.... Ufa que alivio ele disse que era tranquilo...
Me internaram e o trabalho de parto foi seguindo naturalmente, que dor rsrs nao sabia lidar com ela, fiquei horas no chuveiro e quando a enfermeira pediu p eu deitar o medico fez o toque e ja estava com 7,5 de dilataçao, mas a dor estava muito forte e eu nao conseguia fazer as respiraçao entao me deram uma injeçao para diminuir a dor.... Quando chegou a 9 cm de dilataçao o medico veio e perguntou onde eu queria ter meu bebe, me deu opçoes de ter na sala de parto, ali no quarto ou fazer uma cesarea, eu poderia escolher o que quisesse e a dor era tanta q eu ja estava pedindo a cesarea, mas meu marido e minha irma conseguiram me tirar o foco da dor e disseram tenta normal pq vc aguentou e agora vem a parte mais tranquila.... Foi quando decidi ter meu bebe ali mesmo no quarto.
Fiz força apenas e logo saiu o bumbum e mais uma vez saiu a cabeça, foi tao rapido, tao intenso, tao maravilhoso que repetiria um milhao de vezes se pudesse... O Emmanuel nasceu lindo perfeito, abriu os olhos e chorou baixinho e ja pedi p o medico me entregar ele, foi quando ele veio e nos despedimos eu disse pq meu filho tem q ser assim eu te amo tanto, abençoei e nos despedimos.... Emmanuel nao sofreu como muitos bebes, ele partiu logo seu caminho era curto, me arrumaram antes da placenta sair e entao entrou nossa familia o quarto se encheu, todos pegaram o nosso anjo, abençoaram ele e se despediram.... Nao chorei, nao consegui nao queria perder um momento sequer daquele momento maravilhoso e tao triste ao mesmo tempo, queria guardar o maximo de lembrança do meu anjo na memoria e no meu coraçao.....
Emmanuel nasceu de parto natural pelvico no dia 11 de Maio de 2013 as 21:22 hrs e partiu minutos depois.. Enterrei meu filho no dias das mães, nao fui no enterro,nao queria a imagem dele num caixao.... Guardo comigo o momento mais lindo que foi vê-lo de olhos abertos...
Aleph Emmanuel Tagata meu eterno anjo!!!
Agradeço a vc que criou esse blog pois aqui pude compreender a dor de uma mae e me preparei p o que me esperava...
***POSTAGEM FEITA RESPEITANDO LITERALMENTE O TEXTO ENVIADO PELA MAMÃE JANAÍNA
terça-feira, 9 de julho de 2013
Filho Preferido...
Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto é
aquele a quem me dedico de corpo e alma...
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que estuda, até que aprenda.
O que está com frio, até que se agasalhe.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou...
Até que o reencontre..."
(Erma Bombeck)
(Com um carinho especial para a Ly Mello)
terça-feira, 11 de junho de 2013
AUSÊNCIA...
UM AUSENTE
(Carlos Drummond de Andrade)
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste..."
sábado, 1 de junho de 2013
Não tenho medo da morte... (por Marcela Oliveira, mãe do Lucca)
Não tenho medo da morte. Tinha... e muito.
Acredito que todos já passaram por esta reflexão... como é morrer? E será que morremos mesmo? Será que enterramos nosso corpo com tudo e ali permanecemos, ou, algo nos acontece antes e nossa alma se separa? Assunto complicado, não é?! Envolve crenças, religiões diferentes; mas no final, é tudo a mesma coisa - não há certeza. Porém se não nos apegarmos há algo e acreditarmos fielmente, enlouquecemos. Ninguém vive sem aceitar uma realidade, ainda que haja divergências.
Antes do Lucca, (acho que agora minha vida se resume em antes e depois do nascimento do meu anjinho) tinha aflição até em tocar no assunto. Pois se acreditamos no bem, temos que acreditar no mal, se temos a vida um dia teremos a morte. É, não era um assunto que eu"curtia" muito. A questão era: como eu vou morrer? Será que vai doer? Vai ser cruel ou vou estar dormindo? (...) Depois do Lucca, este tema tem se feito tão presente nas minhas conversas do dia-a-dia que me ponho em provação o tempo todo. Como posso ter medo de morrer se meu bebê lutou pela vida por duas horas sem ninguém poder fazer nada, pois infelizmente, esse era o seu destino. Com toda certeza, essa é a parte da história que mais me lamento.
Passamos tanto tempo reclamando da vida, mas com medo da morte... Acredito que vou viver, por viver este momento, agradecer por ter sido escolhida pelo Lucca e tudo que ele me ensinou. Vou ter outro filho ou filhos rsrs, e aí sim poderei sorrir novamente. Pois quando o segurei gélido, é que percebi o que é não ter vida e pude sentir que meu bebê não estava mais ali. Não tenho medo da morte pois na minha crença eu aguardo pelo dia que verei seus olhos brilharem por mim novamente, em um outro lugar. Sei que independente da dor que sentiu, agora ele brinca no colo de Jesus. Então, como mãe, tenho este pensamento: Posso aguentar a morte que Deus escolher para mim, independente do quanto doa; jamais será maior que a dor do Lucca antes de partir. E se um bebê tão indefeso foi capaz de tamanha força, nada será maior do que o que senti por ele.
Acredito que todos já passaram por esta reflexão... como é morrer? E será que morremos mesmo? Será que enterramos nosso corpo com tudo e ali permanecemos, ou, algo nos acontece antes e nossa alma se separa? Assunto complicado, não é?! Envolve crenças, religiões diferentes; mas no final, é tudo a mesma coisa - não há certeza. Porém se não nos apegarmos há algo e acreditarmos fielmente, enlouquecemos. Ninguém vive sem aceitar uma realidade, ainda que haja divergências.
Antes do Lucca, (acho que agora minha vida se resume em antes e depois do nascimento do meu anjinho) tinha aflição até em tocar no assunto. Pois se acreditamos no bem, temos que acreditar no mal, se temos a vida um dia teremos a morte. É, não era um assunto que eu"curtia" muito. A questão era: como eu vou morrer? Será que vai doer? Vai ser cruel ou vou estar dormindo? (...) Depois do Lucca, este tema tem se feito tão presente nas minhas conversas do dia-a-dia que me ponho em provação o tempo todo. Como posso ter medo de morrer se meu bebê lutou pela vida por duas horas sem ninguém poder fazer nada, pois infelizmente, esse era o seu destino. Com toda certeza, essa é a parte da história que mais me lamento.
Passamos tanto tempo reclamando da vida, mas com medo da morte... Acredito que vou viver, por viver este momento, agradecer por ter sido escolhida pelo Lucca e tudo que ele me ensinou. Vou ter outro filho ou filhos rsrs, e aí sim poderei sorrir novamente. Pois quando o segurei gélido, é que percebi o que é não ter vida e pude sentir que meu bebê não estava mais ali. Não tenho medo da morte pois na minha crença eu aguardo pelo dia que verei seus olhos brilharem por mim novamente, em um outro lugar. Sei que independente da dor que sentiu, agora ele brinca no colo de Jesus. Então, como mãe, tenho este pensamento: Posso aguentar a morte que Deus escolher para mim, independente do quanto doa; jamais será maior que a dor do Lucca antes de partir. E se um bebê tão indefeso foi capaz de tamanha força, nada será maior do que o que senti por ele.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Lucca... Um anjo enviado para a mamãe Marcela!
Meu nome é Marcela e como muitas, não planejei minha gravidez, estava namorando a pouco tempo e em menos de dois meses de namoro descobri que estava grávida, no dia 01/10/12 já estava com meu positivo na mão, confesso que relutei por várias vezes em abrir o exame, pois estava pouco tempo com o Marcos, e estava com um pouco de medo do que as pessoas iriam pensar a respeito de ter engravidado em tão pouco tempo, mais para a minha surpresa, meus pais ficaram muito felizes em saber da minha gravidez, eu e o Marcos à partir de então, resolvemos não nos preocupar com a opinião dos outros. Já estava de 8 semanas, então resolvemos marcar a primeira consulta para poder dar início ao pré-natal, a consulta foi marcada para o dia 16/10, porém um dia antes eu tive um sangramento e as pressas fomos eu, minha mãe e o Marcos ao hospital, depois de algumas horas, o médico disse que meu útero estava fechado, mais que possivelmente minha placenta estava baixa, fiz um ultra de emergência e de fato ela estava baixa mesmo, mais o bebê estava bem, pequenino, mais o coração já batia forte, sai do consultório radiante de tanta alegria. Estava ansiosa pelo próximo ultrassom, queria ouvir o coraçãozinho do meu bebê novamente, no próximo ultra com 12 para 13 semanas ainda tudo estava bem, minha surpresa veio com 16 semanas quando fui ansiosa para saber o sexo do bebê e o médico me veio com a notícia que meu líquido havia diminuído, falei com a minha médica e ela pediu para que eu não me preocupasse e assim fiz, o próximo ultrassom seria o morfológico, fiz em minha cidade mesmo, mais a médica veio me dizendo que o líquido teria diminuído severamente e que caso continuasse assim meu bebê não sobreviveria mais do que 7 meses, saí de lá desesperada, aos prantos e depois de conversar com a minha médica, ela me pediu que eu fizesse outro morfológico na cidade vizinha, pois o que eu tinha feito, estava muito vago. Assim fiz, com 23 semanas fui até Divinópolis, cidade vizinha, para fazer o ultrassom, o médico ficou em silêncio o tempo todo e no final me perguntou se eu tinha consulta com a minha médica, pois ela teria que ver o ultra o mais rápido possível, confesso que fiquei sem saber o que o médico quis dizer com isso, mais para a minha sorte eu tinha uma consulta com ela, naquele mesmo dia, então fiz conforme o médico me disse, mostrei o ultra para ela e ela disse que realmente eu teria que passar por um médico especialista, pois até então, a falta de liquido era pela falta dos rins, que foi confirmada no ultrassom doppler, mais eu ainda não sabia. A consulta com a médica especialista foi marcada e durante a consulta ela viu meus ultrassons e depois de um tempo ela veio me dizendo que infelizmente os rins do meus bebê não tinham desenvolvido e que nesses casos, ele seria um bebê inviável e que se não morresse dentro de mim, também não sobreviveria ao nascer, que só Deus poderia fazer com que a minha história fosse diferente. Saí de lá inconsolável, perdida, sem saber o que pensar e como agir, chorei durante todo o trajeto de Divinópolis até Formiga, não queria acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, passei então a pesquisar sobre a ARB e entre tantas publicações vagas, encontrei o blog da Carol, Anjos sem Rins, foi através dele que fiquei mais por dentro da doença e ainda com esperanças de que o diagnóstico estava errado, começou enfim a nossa luta. Uma consulta com outra médica foi marcada, Dra. Marina era o nome dela, sempre muito atenciosa e prestativa a tirar todas as minhas dúvidas sobre a doença, foi ela que me deu a confirmação que eu tanto temia e depois de tentar relutar contra os acontecimentos, resolvi aceitar a realidade, mais sempre com uma ponta de esperança de que no final tudo daria certo. Tinha ido sozinha na consulta com a médica, e quando cheguei o Marcos já estava me esperando na rodoviária para me buscar, quando eu consegui explicar tudo que médica me disse, ele não aguentou, tentou disfarçar, mais a verdade é que não queria que o visse chorar, mais eu vi e como por impulso, nós 2 nos abraçamos e começamos a chorar ali mesmo, e pedindo a Deus que tudo fosse um mero engano dos médicos. Depois de tudo o que estava acontecendo conosco, resolvemos encarar os fatos de frente e foi naquele momento que decidimos levar a gestação adiante, mesmo sabendo que a possibilidade de interromper a gravidez existia, mais para isso teríamos que entrar na justiça, mais tirar a vida de um ser tão inocente, não cabia a nós e sim a Deus e entre idas a Divinópolis, ultrassons, exames e tudo mais que exigia um pré-natal, continuamos confiantes até onde Deus queria que fossemos. Depois que soube da agenesia em meu bebê decidimos não comprar mais nada, comprei só o necessário para levar para a maternidade e o que eu já havia comprado, resolvi guardar, na esperança de que meu bebê pudesse usufruir de tudo que compramos para ele com tanto amor e carinho. Fomos seguindo, ansiosos para saber a data do parto, porque, como o bebê estava sentado, parto normal foi descartado pela médica e com 33 semanas ela nos disse que o parto seria com 37 semanas, no dia 6 de maio e que antes disso, eu teria que passar por uma última consulta com a médica, assim fiz, estava tudo pronto para o dia do parto, o que eu não contava que é a data seria adiada e do dia 6, a data do parto foi para o dia 7 de maio às 8:00 hs da manhã. Depois de tanto esperar, o grande dia chegou, chegamos ao hospital na hora marcada e exatamente as 8:55 meu parto começou, não senti nada, tava um pouco nervosa, mais a presença do Marcos ali do meu lado me acalmou, e quando foi às 9:15, ouvi o choro mais lindo que jamais pensei em ouvir na minha vida, Era o meu LUCCA, que até então não sabia se era menino ou menina, mais depois de um tempo, me disseram que era um menino lindo, nasceu roxinho, acho que foi devido a falta de líquido, vi ele por por alguns segundos, pois teriam que levá-lo as pressas para a UTI, não pude ficar com ele e então o Marcos ficou todo tempo ao lado ele, até o momento em que ele deu o último suspiro as 11:15, 2 horas depois, meu pequeno estava nos deixando, a única coisa que sei, é que ele lutou muito pela vida, não desistiu nem por um segundo sequer, o Marcos via nos seus olhinhos que ele queria viver, mais as circunstâncias não deixaram que isso acontecesse. Apesar de todo dor, ele nos ensinou muita coisa, nos deu muitas alegrias e hoje lembro do meu pequeno com muito aperto no coração, mais feliz por Deus ter me dado a oportunidade de ter gerado um bebê tão lindo e que no fim só nos deu alegria. Ainda é muito recente para entender o propósito de tudo isso, mais de uma coisa eu tenho certeza, que seja lá onde você estiver, ele está olhando por nós e muito feliz, pois sua missão aqui na terra foi cumprida, foi rápida, mais foi intensa. Fiquei com ele por apenas 15 minutos, mais jamais esquecerei esse tempo que ele pôde ficar junto a mim, abraçá-lo, tê-lo em meus braços e dizer o quanto eu o amava. Hoje só ficou a lembrança e a saudade que eu e seu pai sentimos de você, dói muito, eu não vou negar, mais sei que está sendo muito bem cuidado pelo seus amiguinhos anjos e por Deus. Vamos seguir em frente, pois sabemos que era isso que você queria, mais com você sempre em nossos corações. Dizer que te amo é pouco, o amor que sentimos por você é bem maior que qualquer definição de Amor existente na terra!!! Você meu filho amado, não está mais conosco, mais sabemos que apesar de não estarmos juntos, você sente de uma forma especial o quanto eu e seu pai te amamos e desejávamos que você estivesse aqui!! E que um dia, que só Deus sabe quando, vamos nos reencontrar e à partir desse dia em diante, jamais iremos nos separar, ficaremos juntos por toda eternidade!!! Lucca, amor eterno, amor além da vida!!!
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